Neste artigo falaremos um pouco mais sobre um recurso interessante na construção do texto dissertativo no Enem que é o uso de sinônimos para evitar repetições. neste caso, vamos a partir de um texto, criar uma nova redação que exija conhecimentos linguísticos que nos ajudem a fazer melhor nossos textos. Caso queira ver mais sobre o Enem, clique aqui.
Exercício sobre sinonímia na redação
A identidade e a diferença são o resultado de um processo de produção simbólica e discursiva. (...) A identidade, tal como a diferença, é uma relação social. Isso significa que sua definição - discursiva e linguística - está sujeita a vetores de força, a relações de poder. Elas não são simplesmente definidas; elas são impostas. Não convivem harmoniosamente, lado a lado, em um campo sem hierarquias; são disputadas.
Não se trata, entretanto, apenas do fato de que a definição da identidade e da diferença seja objeto de disputa entre grupos sociais simetricamente situados relativamente ao poder. Na disputa pela identidade está envolvida uma disputa mais ampla por outros recursos simbólicos e materiais da sociedade. A afirmação da identidade e a enunciação da diferença traduzem o desejo dos diferentes grupos sociais, assimetricamente situados, de garantir o acesso privilegiado aos bens sociais. A identidade e a diferença estão, pois, em estreita conexão com relações de poder. O poder de definir a identidade e de marcar a diferença não pode ser separado das relações mais amplas de poder. A identidade e a diferença não são, nunca, inocentes.
Podemos dizer que onde existe diferenciação - ou seja, identidade e diferença - aí está presente o poder. A diferenciação é o processo central pelo qual a identidade e a diferença são produzidas. Há, entretanto, uma série de outros processos que traduzem essa diferenciação ou que com ela guardam uma estreita relação. São outras tantas marcas da presença do poder: incluir/excluir ("estes pertencem, aqueles não"); demarcar fronteiras ("nós" e "eles"); classificar ("bons e maus"; "puros e impuros"; "desenvolvidos e primitivos"; "racionais e irracionais"); normalizar ("nós somos normais; eles são anormais").
A afirmação da identidade e a marcação da diferença implicam, sempre, as operações de incluir e de excluir. Como vimos, dizer "o que somos" significa também dizer "o que não somos". A identidade e a diferença se traduzem, assim, em declarações sobre quem pertence e sobre quem não pertence, sobre quem está incluído e quem está excluído.
Afirmar a identidade significa demarcar fronteiras, significa fazer distinções entre o que fica dentro e o que fica fora. A identidade está sempre ligada a uma forte separação entre "nós" e "eles". Essa demarcação de fronteiras, essa separação e distinção supõem e, ao mesmo tempo, afirmam e reafirmam relações de poder. (...) Os pronomes "nós" e "eles" não são, aqui, simples categorias gramaticais, mas evidentes indicadores de posições de sujeito fortemente marcadas por relações de poder: dividir o mundo social entre "nós" e "eles" significa classificar. O processo de classificação é central na vida social. Ele pode ser entendido como um ato de significação pelo qual dividimos e ordenamos o mundo social em grupos, em classes. A identidade e a diferença estão estreitamente relacionadas às formas pelas quais a sociedade produz e utiliza classificações.
As classificações são sempre feitas a partir do ponto de vista da identidade. Isto é, as classes nas quais o mundo social é dividido não são simples agrupamentos simétricos. Dividir e classificar significa, neste caso, também hierarquizar. Deter o privilégio de classificar significa também deter o privilégio de atribuir diferentes valores aos grupos assim classificados.
A mais importante forma de classificação é aquela que se estrutura em torno de oposições binárias, isto é, em torno de duas classes polarizadas. O filósofo francês Jacques Derrida analisou detalhadamente esse processo. Para ele, as oposições binárias não expressam uma simples divisão do mundo em duas classes simétricas: em uma oposição binária, um dos termos é sempre privilegiado, recebendo um valor positivo, enquanto o outro recebe uma carga negativa. "Nós" e "eles", por exemplo, constitui uma típica oposição binária: não é preciso dizer qual termo é, aqui, privilegiado. As relações de identidade e diferença ordenam-se, todas, em torno de oposições binárias: masculino/feminino, branco/negro, heterossexual/homossexual. Questionar a identidade e a diferença como relações de poder significa problematizar os binarismos em torno dos quais elas se organizam (...)
SILVA, TomazTadeu. Identidade e Diferença: a Perspectiva dos Estudos Culturais. Petrópolis: Vozes, 2000. Adaptado. Fonte: vestibular UFJF 2011.
Exercício com gabarito
1. (UFJF 2011) Reescreva o trecho destacado no texto, substituindo o termo sublinhado por outro marcador discursivo que mantenha a relação sintático-semântica por ele estabelecida.
2. (ESPM 2005) Observe o período a seguir: Neste ano, muitos empresários estavam interessados no projeto de arte-educação, porque o governo federal concedia benefícios fiscais às empresas. O item que inverte a relação de ideias nas orações apresentadas é:
a. Neste ano, muitos empresários estavam tão interessados no projeto de arte-educação que o governo federal concedeu benefícios fiscais às empresas.
b. Neste ano, muitos empresários estavam interessados no projeto de arte-educação, uma vez que o governo federal concedia benefícios às empresas.
c. Neste ano, muitos empresários estavam interessados no projeto de arte-educação, visto que o governo federal concedia benefícios fiscais às empresas.
d. Neste ano, como o governo federal concedia benefícios fiscais às empresas, muitos empresários estavam interessados no projeto de arte-educação.
e. Neste ano,já que o governo federal concedia benefícios fiscais às empresas, muitos empresários estavam interessados no projeto de arte-educação.
3. (PUC-SP 2008, adaptado)
"Doente, não pinta mais, vai aos poucos perdendo as forças (...) confessa que dissecara trinta cadáveres, corpos que precisou comprar ou roubar para arrancar a pele, seguir o caminho das veias, estudar a junção dos ossos, aprender a disposição dos músculos, à procura dos segredos do movimento do homem. Mostra suas pesquisas, as conclusões a que chegou, as questões que formulou, tudo anotado numa escrita peculiar, intraduzível, indecifrável durante anos (...) Esses cadernos, se revelados e aceitos na época, certamente teriam feito a medicina avançar cem anos, no mínimo".
Fonte: http://www.historianet.com.br/conteudo/defaul aspx?codigo=516,acessadoem 13/11/07.
Assinale a alternativa em que a oração"se revelados e aceitos na época"está reescrita sem perder seu sentido original.
a. Esses cadernos, porque revelados e aceitos na época, certamente teriam feito a medicina avançar cem anos, no mínimo.
b. Esses cadernos, embora revelados e aceitos na época, certamente teriam feito a medicina avançar cem anos, no mínimo.
c. Esses cadernos, à medida que revelados e aceitos na época, certamente teriam feito a medicina avançar cem anos, no mínimo.
d. Esses cadernos, desde que revelados e aceitos na época, certamente teriam feito a medicina avançar cem anos, no mínimo.
e. Esses cadernos, apesar de revelados e aceitos na época, certamente teriam feito a medicina avançar cem anos, no mínimo.
Gabarito dos exercícios
1. A relação sintático-semântica entre a primeira parte da sentença ("A identidade e a diferença estão") e a segunda ("em estreita conexão com relações de poder") é estabelecida pelo conectivo "pois", de caráter conclusivo. O mesmo efeito pode ser conseguido pelo conectivo "portanto": A identidade e a diferença estão, portanto, em estreita conexão com relações de poder.
2. A
Neste ano, muitos empresários estavam tão interessados no projeto de arte-educação que o governo federal concedeu benefícios fiscais às empresas.
De acordo com o período acima, a concessão de benefícios ficais pelo governo foi consequência do interesse dos empresários - o que inverte a relação original apresentada. Quantos às opções (B), (C), (D) e (E): a relação causa-consequência segue a relação original - o interesse dos empresários como consequência dos benefícios concedidos pelo governo.
3. D
Esses cadernos, desde que revelados e aceitos na época, certamente teriam feito a medicina avançar cem anos, no mínimo.
Para não haver perda do sentido original, a oração intercalada deve ser introduzida por uma conjunção que sugira uma condição, como a conjunção "desde que"- equivalente neste contexto à conjunção "se". Quanto à alternativa (A), a conjun-ção"porque"sugere uma explicação. Na (B) e na (E), as conjunções "apesar" e "embora" sugerem uma concessão (uma ideia em conflito com a oração anterior). Em (C), a expressão"à medida que"expressa uma ideia de proporção e deve estabelecer uma relação de igualdade, aumento ou diminuição em relação à oração principal.
